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conto erótico - pane no elevador

Se havia uma coisa que eu poderia me gabar na vida era minha pontualidade. Não que isso fosse motivo suficiente para ser uma pessoa excepcional, mas ao menos era algo a meu favor. Só que não naquele dia.

Foi um dia que começou já com pressa, após muita insônia, rolando na cama de um lado para o outro por conta do cachorro do vizinho que não parou de latir das três até  às cinco horas da manhã. Devia estar no cio… Quem nunca deixou de dormir por tesão acumulado?

Uma coisa levou à outra, e o alarme passou batido pelos meus ouvidos naquela manhã. Quando finalmente acordei, foi de um pulo que saí da cama ao olhar para o relógio: 07:47 am. Quarenta e sete minutos atrasada. E eu precisava tomar banho de qualquer forma antes de sair, pois meu compromisso era uma consulta  na ginecologista, jamais iria sem estar limpíssima. Bastava o fato de ter que ficar nua, o mínimo que eu poderia fazer pela minha médica era estar limpa.

Por um momento desconfiei da tranquilidade do trânsito, ou talvez fosse porque estavam todos nos seus locais de trabalho, e eu era a atrasada da vez. Foi então que eu lembrei que não se canta vitória antes da hora. Começou com o primeiro sinal vermelho, por pouco não o peguei aberto. Tudo bem, se eu corresse conseguiria atrasar apenas uns quinze minutos.

O segundo semáforo ficou igualmente vermelho ao me ver aproximando. E assim foi, absolutamente todos os semáforos fecharam-se para minha passagem, me atrasando ainda mais. Parecia um complô contra a minha noite mal dormida.

Virei o carro na esquina e finalmente vi o alto prédio do consultório da Dra. Carla. Aleluia! O relógio anunciou o atraso de vinte e sete minutos. Respirei fundo, ainda estava em tempo, e ela já havia me feito esperar muito mais que isso em outras consultas.

O andar era o trigésimo sexto. Passei pelo lobby do prédio correndo, entregando a identidade para o porteiro que liberou minha entrada sem delongas. Em dois minutos o elevador se abriu. Apenas três pessoas entraram comigo, e com exceção de uma, as outras iriam sair em andares acima do meu. Ótimo, menos paradas, menos tempo de atraso.

Ao sair do elevador e me aproximar da porta de vidro da recepção do consultório, senti uma gota de suor descendo pelas minhas costas quando meu coração finalmente desacelerou. Era o mal de ser sempre pontual: quando atrasamos, o peito até aperta como se fosse o fim do mundo. E a recíproca raramente é verdadeira por quem nos faz esperar.

Pude então encarar a secretária da Dra. Carla.

— Bom dia, tudo bem? — disse, me aproximando da mesa. — Estou marcada agora com a Dra. Carla. Meu nome é Giovana.

Ela pareceu confusa, e abriu a agenda conferindo. Entre seu braço e a mão que segurava a agenda eu consegui ver meu nome escrito.

— É verdade… — respondeu ela. — Mas a doutora entrou na sala de parto há meia hora e deve demorar.

— Não acredito! — Minha voz saiu rasgada.

— Pois é… Gostaria de remarcar?

— Moça, você não sabe o custo que foi pro meu chefe me deixar chegar mais tarde hoje, ela vai ter que me atender no sábado então!

— Ela não atende sábado.

— E eu não gostaria de vir aqui sábado também não, mas quem não veio para a consulta foi ela!

— Mas senhora, a paciente entrou em trabalho de parto, não tinha como ela não ir.

Com aquele comentário, eu me senti culpada pela paciente grávida, em seguida imaginei minhas mãos estapeando a cara da médica e de sua secretária com voz de criança doente.

— Eu sei… Quer saber, eu ligo depois.

Virei as costas e apertei o botão do elevador. Pensando pelo lado bom, teria o resto da manhã livre, poderia lavar minhas roupas que estavam acumulando no cesto há semanas. Só faltava conseguir sair logo daquele prédio.

— Que demora de elevador — disse eu, em direção às portas ainda fechadas.

Apertei o botão mais umas três vezes, até que as portas metálicas se abriram, com apenas uma pessoa dentro. Senti que eu estava bufando, mas só o que me interessava era sair dali. Que dia!

— Pra qual andar?

Olhei para onde veio aquela voz rouca, reparando no homem que estava lá, notando primeiro seu maxilar marcado por baixo da barba por fazer. O aroma que inundava o elevador era delicioso e vinha dele.

— Portaria, por favor.

Ajeitei meu blazer, olhando para a pequena televisão que estava no canto esquerdo do cubículo, e repetia as mesmas notícias a cada trinta segundos.

— Você parece mais nervosa do que quando subiu…

A voz grave me assustou, me deixando confusa com aquele comentário.

— Eu subi junto com você… — completou ele, notando a dúvida no meu olhar.

— Ah… Pois é. Está sendo uma manhã daquelas…

— Tem dia que é duro!

Olhei para ele, concordando com a cabeça, e não pude conter um leve sorriso no rosto. Ele voltou a atenção para a TV e eu fiz o mesmo. Parecia que eu tinha desaprendido a conversar, aquele homem sendo tão agradável e eu mal o respondia. Realmente, estava sendo um dia daqueles.

Minha única esperança era que em breve eu estaria no conforto da minha casa, na companhia do meu cachorro, lavando minhas roupas em paz. Nossa, que pensamento depressivo. Bem, melhor do que estar no trabalho aguentando os humores do meu chefe.

Notei que a imagem da televisão piscou, assim como a luz no interior do elevador. Logo em seguida o elevador parou e tudo se apagou. Uma luz de emergência acendeu, e meu coração pulou no peito. Olhei para os lados, percebendo a calma daquele homem, em contraste com minha ansiedade que começava a alcançar novos picos.

— Não estou acreditando — falei quase em um suspiro.

— Calma, a luz deve voltar rapidinho — respondeu ele.

Concordei com a cabeça, e coloquei minha bolsa no chão. Com as mãos livres, pude enrolar meu cabelo em um coque, para tentar refrescar a ansiedade que me inundava.

— Ei, você está bem? — Perguntou ele se aproximando. — Seus lábios estão muito brancos.

— É minha pressão, caiu um pouco. Eu tenho pressão mais baixa mesmo, é normal. Daqui a pouco volta — respondi. — Acontece quando fico nervosa.

Ele abriu a bag que carregava – que eu nem tinha notado – e dela tirou uma barrinha de cereal e me entregou.

— Ah, não precisa, muito obrigada.

— É melhor aceitar, não sabemos quanto tempo isso aqui vai durar.

Percebendo que eu estava relutante, ele abriu a barrinha e arrancou um pedaço, me entregando a outra metade que ainda estava na embalagem.

— Pronto, agora você pode aceitar tranquila. Estaremos os dois alimentados.

Sorri e aceitei, encostando minha mão na dele ao pegar o alimento. Era uma mão grande, ele parecia ser um homem forte embaixo do casaco marrom de couro. Sua barba por fazer e o cabelo preso em um pequeno rabo combinados com a calça jeans e o casaco o deixavam com ar bastante sofisticado.

— Obrigada.

Assim que eu mordi o primeiro pedaço, uma voz robótica soou dentro do cubículo.

— Senhores, meu nome é Oziel, sou da portaria. Já contatei o técnico do elevador, e os bombeiros, mas parece que o pico de luz foi em toda a região e eles falaram que devem demorar ao menos uma hora.

Senti meu queixo caindo imediatamente com aquele anúncio. O homem ao lado me observou, e quando olhei de volta ele balançou os ombros e sentou-se no chão. Esperei um momento, então fiz o mesmo.

— Qual seu nome? — Perguntei.

— Greg. E o seu?

— Giovana. Gio.

— Bom, já que temos tempo, quer me contar por que está tendo um dia daqueles?

— Vou te deixar entediada…

— Mais do que ficar preso em silêncio? Duvido! — Respondeu ele.

— É porque minha médica esqueceu de me avisar que cancelou a consulta, e dormi mal, e agora estou aqui, presa. Enfim, um dia daqueles…

Ele acenou com a cabeça, escutando. A luz de emergência deixava seus olhos azuis ainda mais marcantes, mas de uma maneira atraente a ponto de me fazer evitar olhá-lo com medo de ficar encarando.

— E você? — Perguntei. — Também subiu e desceu rápido…

— Só vim entregar umas fotos para um cliente.

— Ah, você é fotógrafo, que bacana. Tem alguma foto aí que eu possa ver?

Ele tirou a câmera da bag, a ligou, depois manipulou alguns botões e sentou-se mais próximo de mim, com o lcd da câmera expondo as imagens.

— Uau, que linda essa — comentei, ao ver a fotografia de uma árvore, de um ângulo completamente inusitado. — Parece um monte de enervações.

— Foi o que pensei também quando tirei.

Eu sentia os olhos dele em mim enquanto eu observava as fotos. Seu ombro encostado no meu, parecendo confortável, mesmo naquela situação.

Entreguei-lhe de volta a câmera, e enquanto ele a guardava pude notar que sob a calça jeans um volume se pronunciava. Ele virou o rosto a tempo de me ver olhando para suas partes, e eu desvencilhei para o outro lado, tentando fingir que nada notei.

— Desculpa, — disse ele, colocando a bag em cima. — Foi incontrolável.

Olhei de volta para ele. Seus lábios carnudos, a respiração lenta. O ar no elevador pareceu ficar parado, e eu senti que estava mordendo os lábios.

— Tudo bem — respondi.

Ele então pegou na minha mão, entrelaçando os dedos nos meus. Em seguida se aproximou, beijando meu pescoço, então subiu para minha boca. Por um segundo eu achei que estava imaginando aquilo, até sentir sua língua quente envolvendo a minha, e uma sensação boa se espalhando por todo o meu corpo. Ele tirou o bag do colo e jogou para o lado ficando livre para se aproximar mais. Com a outra mão segurou minha cintura, apertando minha pele enquanto me beijava com vontade. Um calor me inundava e então parei de beijá-lo o observando. Percebi que ele achou que eu estava prestes a interromper aquele momento, então eu tirei meu blazer, e me aproximei novamente dele, o beijando com ainda mais vontade, puxando seu corpo em direção ao meu. Greg subiu a mão e começou a arredar a alça da minha blusa regata para o lado, deixando meu ombro direito completamente desnudo.

Ele então fez o mesmo que eu, e tirou o casaco. Passei a mão por dentro de sua camiseta, e pude sentir os gominhos de músculos na barriga. Em seguida desci o toque até sua calça, sentindo por cima do tecido a firmeza de algo que queria liberdade. Foi então que parei de súbito o que estávamos fazendo, olhando assustada para os lados.

— Você acha que a câmera funciona? Pode ter alguém nos vendo?

— Não, pelo que ele falou a luz caiu em toda a região — respondeu ele, por entre beijos no meu queixo, descendo pelo pescoço.

Ele puxou a outra alça da regata para o lado, e a blusa que era de um tecido mole escorregou para baixo, expondo meus seios.

— Nossa, você é muito linda!

Ele se abaixou e começou a chupar meu seio esquerdo, enquanto com a mão brincava com o bico do seio direito. Sua língua molhada circundava minha aréola, deixando meu mamilo cada vez mais durinho. Com a mão direita, ele abriu minha calça, enfiando por debaixo da calcinha a mão até chegar ao meu sexo. Eu estava muito molhada, e ele sorriu com malícia, olhando nos meus olhos, querendo ver todo o tesão que eu sentia estampado na medida em que me tocava.

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Ao começar a brincar com meu clitóris, eu não aguentei segurar o gemido. Ele esfregava o indicador no meu clitóris enquanto com outros dois dedos passeavam pelos meus lábios, espalhando toda a minha lubrificação pela entrada, e então enfiou os dois na minha vagina.

— Que delícia de bocetinha! — disse ele em um cochicho, observando enquanto eu me movia junto com sua mão, todo o prazer estampado. Meus gemidos ficavam mais altos à medida que nosso ritmo aumentava e então ele parou, tirando a mão de dentro da minha calça.

Depois ele ficou de joelhos, abriu a própria calça sem tirá-la, apenas afrouxando o espaço para sua ereção. O tecido de sua cueca da Calvin Klein branca estava esticado com um grande volume querendo rasgar aquele pano.

Eu levantei do chão, o espaço no cubículo era maior em pé do que deitados.

— Vem cá — ordenei.

O puxei pela cintura. Ele também se levantou, e se aproximou de mim até que eu pude colocar a mão na sua barriga. O beijei nos lábios, enquanto abaixei um pouco a sua cueca, alcançando seu membro. Peguei por dentro no seu pau rígido, o tirando para fora. Era lindo, grosso, algumas veias pronunciadas, e a cabeça rosada estava molhada, querendo mais, muito mais. Comecei a manuseá-lo, para frente e para trás, acariciando suas bolas com uma mão, depois voltava para a cabeça, e depois por todo o membro. Era a vez dele gemer, seus suspiros roucos escapavam da boca chegando nos meus ouvidos e me deixando ainda mais excitada.

— Você tem camisinha? — perguntei em seu ouvido.

— Não — disse ele, mas antes que eu me decepcionasse, ele continuou. — Mas isso não é um problema.

Se afastou um pouco, e tirou minha calça por completo, expondo todo o meu sexo.

— Eu não vou fazer nada sem…

Antes que eu completasse a frase ele me beijou. – Quem vai fazer sou eu, não se preocupe.

Ele abaixou e ficou de joelhos na minha frente, seu pênis rígido apontando para mim, então ele beijou minha barriga, e desceu até seus lábios tocarem o meus, de baixo. Com uma mão, ele me abriu, expondo meu clitóris, e com vontade lambeu. Lambeu toda a minha boceta, circundando cada canto, até a entrada, depois voltando para o clitóris onde começou a beijar, e brincar, sua língua esfregando rápido no meu grelo, e quando ele sentia meus gemidos mais altos, Gred diminuía o ritmo, me fazendo desejá-lo ainda mais. Segurei a cabeça dele com uma mão, sem nem conseguir manter os olhos abertos de tanto prazer. Ele me lambia com vontade, eu estava escorrendo, a vontade de gozar começando a me dominar. Ele desceu a língua do clitóris até a entrada da minha boceta, lambendo e enfiando a língua, depois chupando. Com a outra mão, Greg manipulava o próprio membro, devagar, curtindo cada segundo daquele momento, acariciando a cabeça do seu pênis, depois descendo até a base.

A visão dele se masturbando enquanto me chupava me deixou ainda mais excitada, e comecei a sentir minha vagina contraindo, à medida que meu gozo se aproximava. Ele também sentiu, então acelerou a língua em meu clitóris, o chupando com vontade, ao mesmo tempo em que acelerou também a punheta que batia. Segurei no apoio do elevador, abrindo ainda mais minhas pernas para ele que lambia gostoso até que não aguentei mais e me deixei ser inundada por aquela sensação maravilhosa. Um gozo quente me fez contrair toda e escorreu pela boca dele e pelas minhas coxas, deixando minhas pernas bambas e me fazendo relaxar por completo, enquanto apreciava aquela sensação que passava por todas as partes do meu corpo. Então o ouvi gemer logo em seguida e abri os olhos pra ver um jato esbranquiçado derramando pela cabeça de seu pênis.

Após alguns segundos, com o membro ainda rígido, Greg se levantou e o guardou de volta na cueca, então me abraçou. Depois me beijou com carinho, e eu senti o gosto do meu próprio orgasmo em sua boca. Um sorriso estampou-se em meu rosto, e quando ia falar algo, de súbito as luzes do elevador se acenderam novamente, a televisão no canto mostrou uma mensagem de atualização, dois segundos depois o elevador começou a se movimentar.

De um pulo, eu me desvencilhei de Greg e coloquei minha roupa como pude, e ele fez o mesmo. Foram os dez segundos mais afoitos da minha vida. Assim que eu terminei de colocar o blazer, e ia calçar o sapato, as portas se abriram.

Um senhor de paletó preto, com o olhar preocupado nos aguardava do outro lado, junto a outro funcionário de uniforme cinza, provavelmente da empresa de elevadores. O ar no cubículo estava quente, e quando a brisa de fora invadiu, eu pude notar que o espelho estava embaçado, meu rosto vermelho e molhado de suor e o cabelo bastante bagunçado, assim como o de Greg.

O olhar do porteiro transformou-se de preocupação para curiosidade, e ele olhou por trás da gente, procurando vestígios que comprovassem seu raciocínio. O funcionário ao lado segurou o riso, e eu peguei minha bolsa e saí rápido do elevador, seguida de Gred que não conseguiu evitar um riso discreto.

— Boa tarde — disse eu ao passar pelos dois funcionários.

— Boa tarde — respondeu o porteiro sorrindo.

Quando finalmente saí do prédio, o sol inundou minhas vistas, e olhei para o lado para achar Greg ao meu encalço. O encarei, e não resistindo comecei a rir. Ele riu de volta.

— Que dia! — Falei, dessa vez sorrindo, enquanto arrumava meu cabelo.

 


 

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Nina Achoor

Escritora de prosa erótica - Dias Extraordinários: Contos eróticos

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